Chegando o Material
..., combinamos lá na loja a entrega do material para o próximo sábado, o mais cedo possível, e o caminhão chegou bem cedo mesmo, e eu estava preparado, de luvas, portão aberto...
E lá estava o motorista, abrindo a lateral da carroceria, foi uma barbada descarregar pedras e tijolos sobre a calçada usando o braço hidráulico e um sistema de garfos suspensos. Material todo acomodado em palets, torna fácil uma operação que muitos anos atrás a madeireira que tivesse um caminhãozinho seria um estabelecimento de luxo. Jamais poderia me esquecer do primeiro trabalho, curso profissionalizante de mecânica concluído, uma curtíssima experiência na função em outra cidade, a convite do saudoso tio Doracy “in memoriam”, para trabalhar em uma metalúrgica na cidade de Montenegro (RS), e lhe ajudar no bar de um clube depois do expediente...
...Duas semanas nesta metalúrgica, me coloquei de volta pra casa, e acabei parando em uma madeireira.
E lá estava o motorista, abrindo a lateral da carroceria, foi uma barbada descarregar pedras e tijolos sobre a calçada usando o braço hidráulico e um sistema de garfos suspensos. Material todo acomodado em palets, torna fácil uma operação que muitos anos atrás a madeireira que tivesse um caminhãozinho seria um estabelecimento de luxo. Jamais poderia me esquecer do primeiro trabalho, curso profissionalizante de mecânica concluído, uma curtíssima experiência na função em outra cidade, a convite do saudoso tio Doracy “in memoriam”, para trabalhar em uma metalúrgica na cidade de Montenegro (RS), e lhe ajudar no bar de um clube depois do expediente...
...Duas semanas nesta metalúrgica, me coloquei de volta pra casa, e acabei parando em uma madeireira.
Muito próxima da casa que morava com pai e mãe (Sapucaia do Sul), a Ferragem Primor foi o princípio de tudo. Convidado a trabalhar lá pelo proprietário Sr. João Batista de Oliveira “in memoriam” ( como diz o pai: o pessoal andava morrendo mesmo...), um homem popular nos negócios, também também dirigia um partido político na cidade já tendo sido prefeito por duas gestões. Aceitei o convite de pronto. Balconista era como se nomeavam na época, justamente os que ficavam a maior parte do tempo atrás do balcão. Quase dois anos nesta função renderam incontáveis passagens e um gosto particular por materiais e suas aplicações, ferramentas, cada nome de artigo de ferragem que até hoje me pergunto: Quem batizou esta coisa? Alguém sabe o que é uma Cremona? Vai em uma Janela, isto diz alguma coisa? Pois é o mecanismo principal que movimenta duas varetas de aço, entrando ou saindo de uma cavidade no marco de uma janela do tipo “veneziana”, e vai explicar agora a “veneziana”, alguém vai jogar o livro no fogo!
Era um tal de ajuda a colocar saco de cimento no carro de um cliente, já passando o meio dia, a gente louco de fome, dividir aqueles cinqüenta quilos, parecia que se pegava sozinho o bendito saco. Responsável por liberação de “carretos”, agora chegamos no contraste com o tal caminhão com guindaste que me levava o material. No tempo que trabalhei na madeireira, era na base da carroça. E tinha piloto, carroceiro mesmo, que tentava passar a perna em mim, logo em mim: “ Gerente de logística em módulos de entrega de 1 HP”, mas bem capaz! Os caras tinham a engenhosidade de aproveitar quanto eu saía para a rua, e o próximo da fila, lá no balcão, discretamente (eu acho) passava para frente um pedido com endereço de entrega conforme lhe convinha, tipo: quanto mais perto e menor o peso melhor. Mas eu decorava cada pedido que entrava e paralelamente organizava uma distribuição mais honesta possível, dividindo cargas similares em peso e distância para cada cavalo.
O motorista do caminhão com a nota de entrega para ser assinada como recebida, e eu ali na calçada, olhando o material descarregado, em profunda viagem ao passado fazia toda esta regressão narrada, bom tempos.
Para não ficar feio, faz de conta que eu estava conferindo os tijolos, mas acho que o cara pensou que eu estava louco, e louco mesmo eu estava era pra colocar este material para dentro