domingo, 1 de abril de 2012

Retomando a obra

Uma semana em casa era a folga entre sair de uma empresa e entrar na outra. E agora estava apto a retomar "a casa do pai", aos menos a parte da construção.
Fazer as pazes com a construção, aquela conversa secreta, coisa de maluco:
- Ei...casa...vamos retomar? Estou partindo para um novo desafio e acho que vamos poder colocar um construtor de verdade em tua continuação, possivelmente com um ou
mais ajudantes.
Foi só "botar os cachorros no mato" e lá tínhamos um orçamento que aprovei, vindo do construtor Jorge Inácio. Tinha que ser Jorge outra vez. No capítulo "O mestre Machado", o dono deste sobrenome também era "um Jorge".
Destino ou não, posso afirmar que os “Jorges" chegavam ter a mesma aparência, o mesmo tipo de "beleza", aquela da simplicidade, da graça de viver, da sugestão, de ouvir e de falar. Salvo o gosto musical, o primeiro escuta Pink Floyd e o segundo vai de Luiz Marenco. Para mim estava perfeito, ouço e conheço ambos estilos.
Combinado o início da obra, isto coincidia com meu trabalho na nova empresa, o que também rendeu muita pesquisa de moradia, pois precisaria me hospedar durante a semana na cidade da serra gaúcha onde estava o trabalho.
Uma expectativa generalizada, o que será que me espera nesta empresa? Como será que vai se desenvolver a construção lá em casa?
Queria antes de viajar a trabalho, ter tirado do galpão, tudo que pudesse guardar dentro de casa, mas não deu tempo, e nem precisou. Estes caras estão tão acostumados a construir, destruir e remontar, que no primeiro fim de semana de volta em casa,  pude ver que o construtor e sua trupe, desmontaram o telhado do galpão, retirando tudo que havia lá dentro, e fizeram uma réplica em miniatura do velho galpão. Digo "réplica", porque a aparência era a mesma, tudo amontoado, coberto por telhas e lonas, ainda consegui chegar a ponto de conhecer a equipe em plena atividade de encerramento. Guardavam as ferramentas em baixo deste modelo arquitetônico provisório, com certa seqüência de operação, tudo se encaixava no devido lugar, com direito a um dispositivo de alarme antifurto, com latas velhas e arames, acho que iria funcionar muito bem, eu tinha medo só de olhar.
Sempre vi com bons olhos a evolução de cada fim de semana em que eu e meu irmão grudávamos na obra como se fôssemos terminar tudo naquele domingo, mas quando olhei o que havia sido feito em uma semana pela "Mr. Inácio Corporation"... não poderia pensar em outra expressão: "Como rendeu".
Neste momento, vi que não seria fácil "alimentar" de cimento aquela turma.
Capricho, mais um voto a favor. Dia encerrado, tudo varrido, ferramentas guardadas, uma prova de organização e de que tudo correria muito bem até o fim do "contrato".
Um conversa rápida com o Sr. Jorge, acertando alguns detalhes, tentei deixá-lo bem tranquilo, aceitando suas sugestões para corrigir ao imperfeições que meu irmão e eu tivéssemos feito.
Mas o Jorge, um poço de tranqüilidade, já sabia onde estavam os defeitos, e tinha experiência suficiente pra corrigir ou minimizá-los.
O "bicho velho" era bom mesmo, tinha solução para tudo. Já podia prever que encerrando a obra iria sentir falta deste rapaz.
Neste período de obra, meu irmão e eu ligávamos um para o outro regularmente,  agora mais ainda, pois ele  queria saber quando retornaríamos à construção. Em um destes fins de semana, em que ele esposa e o pequeno Hector nos visitaram, a primeira coisa que o brother quis ver era a casa do pai.
Por um bom tempo olhamos juntos o que havia sido feito na primeira semana de trabalho com a equipe do Jorge Inácio, era notável e lógico que pareciam ter feito muito mais em uma semana corrida do que tudo que fizemos nos últimos meses em que trabalhamos só aos fins de semana, com menos gente e prática. 

E assim, bateu a tristeza no meu parceiro de obra.
- Poxa...então não vamos mais fazer o resto da casa do Pai?
Esta tocou fundo. Sua  indagação tinha o mais sentido pesar de poder estar perdendo a participação onde da mesma forma que eu, ele queria mostrar sua gratidão ao nosso Pai.
Eu lhe disse: irmão amigo, o que fizemos até agora não foi pouco, olhe pelo lado bom, agora há uma boa chance de acelerar as coisas, ao menos até um certo ponto, isto ajuda a trazer o pai mais rápido.

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