domingo, 1 de janeiro de 2012


Arqueologia
A tarde era hora de novamente calçar as luvas, e iniciar a abertura das valas onde se dariam os alicerces das novas paredes. Cavar é uma tarefa bem ingrata, extremamente braçal, pode não precisar de raciocínio algum, exceto pelo fato de que por ali subiriam paredes, e deveriam ser retas, presume-se. Fiz os esquadrejamentos como deu, talvez passando mais trabalho do que os profissionais que já têm métodos mais adequados, mas para a finalidade serviu.
Quando as valas vão ficando mais fundas, além do cansaço, a posição de trabalho fica mais prejudicada. Um pé dentro e outro fora do buraco, muita força e pouco avanço, raízes de árvores que nunca existiram aparecem e pedras por incrível que pareça, são duras!
Não há coisa tão infame ao se cavar, quando se emprega uma força violenta ao encontro de uma pedra inesperada. Ninguém acha em casa, ao abrir um buraco, um baú velho, com alguma coisa dentro que preste, só em filmes mesmo, mas pedras são garantidas.
Mas nem tudo está perdido, sim, porque eu ia achando tudo na escavação: sacola plástica, prendedor de roupa, roupa, bola velha,  pilhas (não se enterram pilhas), ossos de cães (Pity in memorian), pedaço de madeira, rolhas e tampas, e suas respectivas contrapartes: as Garrafas! Deus do céu...quanta garrafa! Inteira, quase inteira, quebrada, moída, long neck, 600ml, de vinho, de vodka, isto tudo revelava muito sobre o morador que habitou este lugar, e se considerarmos que quando adquirimos um lugar para morar, este era um terreno sem casa e sem mais nada ao seu redor, dinossauros não bebiam, acho que fui eu mesmo que produzi todo este tesouro enterrado.

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